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Equador, Miguel Sousa Tavares

Sábado, 03.01.09

Devia ser das poucas pessoas que ainda não tinham lido o Equador - mea culpa.

Comprei este best-seller em 2003, aquando da sua publicação - para oferecer a uma pessoa que foi e sempre será muito especial para mim e era suposto lê-lo mais tarde. Por razões diversas e que não interessam para aqui, as nossas vidas foram separadas e não tive oportunidade de ler o Equador que ofereci.

O ano passado, pelo Natal, resolvi oferecer a mim mesma este livro que à muito esperava ler e, como seria de esperar, adorei a obra e li-a em tempo record.

É simplesmente magnífica a história e a maneira como Miguel Sousa Tavares escreve sobre um tema tão controverso.

Como disse Eduardo Lourenço "Equador é mais interessante do que as pessoas possam imaginar. É muito clássico, a muitos títulos. Queirosiano e aquiliniano. É talvez o último romance do império. Do nosso Império em chamas."

 

Deixo aqui uma citação da obra que não vai desvendar qualquer mistério do enredo do livro (para quem ainda não o leu). É uma simples citação que achei interessante colocar aqui.

 

"As ilhas são lugares de solidão e nunca isso é tão nítido como quando partem os que apenas vieram de passagem e ficam no cais, a despedir-se, os que vão permanecer. Na hora da despedida, é quase sempre mais triste ficar do que partir e, numa ilha, isso marca uma diferença fundamental, como se houvesse duas espécies de seres humanos: os que vivem na ilha e os chegam e partem.

(...)
Quando o navio partia (...), a praia de embarque era infinitamente mais triste para os que ficavam, a cabela ligeiramente curvada de resignação, lenços nervosamente enrolados nas mãos, algumas lágrimas furtivas que os olhares alheios não consentiam que corressem livremente, à luz do dia. E todos ficavam quietos e  mudos na praia, vendo os escaleres terminar o embarque dos passageiros e carga de última hora, vendo o pesado vapor activar as caldeiras, levantar ferro com um ranger de despedida e, lentamente, pôr-se em marcha e ir aos poucos ganhando velocidade, como se tivesse pressa em afastar-se dos que ficavam, antes de, como era de tradição, apitar à passagem do cabo, desaparecendo da baía e do olhar dos que o tinham seguido sempre, esperando talvez uma súbita e absurda manobra de arrependimento e de regresso."

 

in, Equador

Edição Especial Novembro 2008

páginas 313 - 315

 

 

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por Paula Patricio às 21:42


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